31 de dezembro de 2015

1. Ameaça

Capítulo um – Ameaça


O sol brilhava forte e quente, o que não era nenhuma novidade. Naquela cidade pequena, que nesses últimos anos estava crescendo rapidamente, era calor o tempo todo, até no inverno. E, quando chovia, era mais ou menos um dilúvio.
Bragança estava com o celular em mãos, digitando alguma coisa num grupo de bate-papo. Ela convidara uns amigos para uma “festa” na piscina; portanto, apenas Hosana havia chegado. Dela, Bragança podia ver seu celular e as chaves de casa dentro dos bolsos do short jeans, graças à sua visão de raio-x. Mas isso não era de interesse por parte de Bragança, então ela não usava esse tal poder com frequência.
De acordo que o tempo passava, os outros convidados chegavam. A música era bem alta, e por sorte nenhum vizinho reclamou. Na última festa que fizeram, chamaram a polícia. Porém, graças a Murilo – que pode mudar os sentimentos e desejos das pessoas –, os tiras deram meia volta e a festa continuou até cansarem.
Dessa vez, já que os vizinhos não se manifestaram, não houve nenhum incomodo.

§

Laura se perguntava o porquê e se realmente deveria estar ali. Ela estava sentada, tomando refrigerante, junto com Bia, Luana e Marina. As quatro nem sequer se deram ao trabalho de levantar durante grande parte da festa. Bia só foi para marcar presença; Marina só estava lá porque Luana insistiu; e Laura, bom, ela tinha seus motivos.
Ela olhou em volta novamente, fazendo ao máximo para memorizar cada detalhe do lugar. A anfitriã, Bragança, conversava e ria na piscina com Hosana. Ainda na piscina, Whalison e Nicolas planejavam aprontar alguma coisa com as garotas da outra ponta. Laura leu os pensamentos deles e, de acordo com isso, iriam pega-las de surpresa, algo assim. David e Murilo não cansavam de ir e voltar da cozinha, onde todas as bebidas eram mantidas na geladeira. E, na mesa onde estava sentada, Marina via alguma coisa no celular que parecia interessante demais; Luana bocejava e olhava as horas no celular e Bia falava alguma coisa com Laura, que só agora percebera isso.
Ainda faltam alguns, Laura pensou. Ela sabia quantos haviam no grupo, seus rostos, nomes e personalidade. Embora estivesse ali há pouco tempo.
– ALÔ – Bia balançava a mão em frente o rosto de Laura, para chamar atenção. Por uns segundos, Laura olhava para o nada.
– Que é? – Laura reclamou, fazendo uma careta.
– Tu ouviu uma palavra do que eu disse?
Em vez de responder, Laura apenas olhou para Bia, um olhar como se dissesse “que?”. Bia iria protestar, se não fosse o barulho do portão se abrindo e Nathalia entrar apressada, com um semblante sério. Nathalia, ainda apressada, andou até a caixa de som e abaixou o volume até não haver nenhum ruído além do copo de plástico que Luana derrubara sem querer.
– O que aconteceu? – Hosana perguntou, saindo da piscina pela escada. Bragança fez o mesmo.
Nathalia tomou fôlego, finalmente podendo respirar depois de uma longa corrida (não tinha dinheiro nem tempo para transporte público).
– Fomos ameaçados – anunciou.
Por um momento todos ficaram em silêncio. Laura levantou a cabeça e, pela primeira vez durante esse tempo, prestou atenção em alguma coisa. O tal silêncio era mais como um incentivo para Nathalia dar mais detalhes, e ela entendeu o recado.
– Os mauricinhos estão cansados de nós – Nathalia olhou em volta, todos voltados para ela. – E planejam nos ameaçar em guerra.

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