O
sol brilhava forte e quente, o que não era nenhuma novidade. Naquela cidade
pequena, que nesses últimos anos estava crescendo rapidamente, era calor o
tempo todo, até no inverno. E, quando chovia, era mais ou menos um dilúvio.
Bragança
estava com o celular em mãos, digitando alguma coisa num grupo de bate-papo.
Ela convidara uns amigos para uma “festa” na piscina; portanto, apenas Hosana
havia chegado. Dela, Bragança podia ver seu celular e as chaves de casa dentro
dos bolsos do short jeans, graças à sua visão de raio-x. Mas isso não era de
interesse por parte de Bragança, então ela não usava esse tal poder com frequência.
De
acordo que o tempo passava, os outros convidados chegavam. A música era bem
alta, e por sorte nenhum vizinho reclamou. Na última festa que fizeram,
chamaram a polícia. Porém, graças a Murilo – que pode mudar os sentimentos e
desejos das pessoas –, os tiras deram meia volta e a festa continuou até
cansarem.
Dessa
vez, já que os vizinhos não se manifestaram, não houve nenhum incomodo.
§
Laura
se perguntava o porquê e se realmente deveria estar ali. Ela estava sentada,
tomando refrigerante, junto com Bia, Luana e Marina. As quatro nem sequer se
deram ao trabalho de levantar durante grande parte da festa. Bia só foi para
marcar presença; Marina só estava lá porque Luana insistiu; e Laura, bom, ela
tinha seus motivos.
Ela
olhou em volta novamente, fazendo ao máximo para memorizar cada detalhe do
lugar. A anfitriã, Bragança, conversava e ria na piscina com Hosana. Ainda na
piscina, Whalison e Nicolas planejavam aprontar alguma coisa com as garotas da
outra ponta. Laura leu os pensamentos deles e, de acordo com isso, iriam
pega-las de surpresa, algo assim. David e Murilo não cansavam de ir e voltar da
cozinha, onde todas as bebidas eram mantidas na geladeira. E, na mesa onde
estava sentada, Marina via alguma coisa no celular que parecia interessante
demais; Luana bocejava e olhava as horas no celular e Bia falava alguma coisa
com Laura, que só agora percebera isso.
Ainda faltam alguns, Laura pensou. Ela sabia quantos
haviam no grupo, seus rostos, nomes e personalidade. Embora estivesse ali há
pouco tempo.
– ALÔ – Bia balançava a mão
em frente o rosto de Laura, para chamar atenção. Por uns segundos, Laura olhava
para o nada.
– Que é? – Laura reclamou,
fazendo uma careta.
– Tu ouviu uma palavra do que eu disse?
Em
vez de responder, Laura apenas olhou para Bia, um olhar como se dissesse “que?”.
Bia iria protestar, se não fosse o barulho do portão se abrindo e Nathalia
entrar apressada, com um semblante sério. Nathalia, ainda apressada, andou até
a caixa de som e abaixou o volume até não haver nenhum ruído além do copo de
plástico que Luana derrubara sem querer.
–
O que aconteceu? – Hosana perguntou, saindo da piscina pela escada. Bragança
fez o mesmo.
Nathalia
tomou fôlego, finalmente podendo respirar depois de uma longa corrida (não
tinha dinheiro nem tempo para transporte público).
–
Fomos ameaçados – anunciou.
Por
um momento todos ficaram em silêncio. Laura levantou a cabeça e, pela primeira
vez durante esse tempo, prestou atenção em alguma coisa. O tal silêncio era
mais como um incentivo para Nathalia dar mais detalhes, e ela entendeu o
recado.
–
Os mauricinhos estão cansados de nós –
Nathalia olhou em volta, todos voltados para ela. – E planejam nos ameaçar em guerra.

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